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Segredo comercial violado por ex-colaborador: como agir e se proteger

Quando um ex-colaborador utiliza sua lista de clientes, estratégias de precificação, metodologias proprietárias ou bancos de dados para favorecer um concorrente, a empresa sofre uma lesão patrimonial direta. A inércia, neste caso, é o caminho mais curto para a desvalorização do negócio.

A seguir, detalhamos o roteiro para lidar com o problema e, principalmente, como blindar a empresa para que isso não se repita.

O que fazer imediatamente

Se você identificou que informações confidenciais estão sendo utilizadas por um ex-funcionário em uma nova posição ou em um negócio próprio, a gestão da crise deve ser imediata e profissional.

Preserve as evidências

Antes de qualquer contato, documente tudo. Tire prints, guarde e-mails de clientes que foram abordados, registre comunicações e salve arquivos que provem o vazamento. A prova é o alicerce de qualquer futura ação judicial.

Ata Notarial

Em casos graves, considere realizar uma ata notarial para garantir que as provas digitais tenham fé pública e não sejam questionadas posteriormente pelo infrator.

Evite o contato informal

Não tente resolver o problema por conversas informais ou mensagens por aplicativo. Isso pode ser usado contra você em um futuro processo trabalhista ou cível. Deixe a comunicação ser feita via notificação formal assinada por advogados.

As medidas judiciais cabíveis

A legislação brasileira, por meio da Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279/96), prevê mecanismos para punir a concorrência desleal e o vazamento de segredos de negócio.

Tutela de Urgência (Liminar)

O foco inicial não é apenas processar, mas interromper o dano. A ação judicial pode solicitar uma liminar para que o ex-colaborador e a empresa concorrente cessem imediatamente o uso das informações confidenciais, sob pena de multa diária.

Ação de Indenização

Com o dano cessado, o processo segue para buscar a reparação pelos prejuízos causados, incluindo lucros cessantes pela perda de clientes ou pela quebra de exclusividade no mercado.

Esfera Criminal

Em casos extremos de violação de segredo industrial, a conduta pode configurar crime, o que permite o acionamento das autoridades policiais para apurar a responsabilidade penal do infrator.

A descoberta de um vazamento é também o momento ideal para auditar toda a política de proteção de ativos intelectuais da empresa.

A estratégia de prevenção

A melhor forma de lidar com o uso indevido de informações confidenciais é garantir que, caso ocorra, a empresa tenha ferramentas contratuais para agir rapidamente. A prevenção é feita em três camadas:

Camada 1

Acordo de Confidencialidade (NDA)

Deve ser robusto e específico, definindo exatamente o que é informação confidencial e qual o período de vigência dessa obrigação, que muitas vezes deve perdurar após o término do vínculo empregatício.

Camada 2

Cláusula de Não Aliciamento (Non-solicitation)

Impede que o ex-colaborador tente levar outros funcionários ou clientes-chave da empresa para o novo negócio ou empregador.

Camada 3

Cláusula de Não Concorrência (Non-compete)

A medida mais restritiva e que exige cautela na redação. Para ser válida no Brasil, deve ter limitação geográfica, temporal e, fundamentalmente, prever uma compensação financeira ao ex-funcionário durante o período de inatividade.

Atenção: sem esses três requisitos, a cláusula pode ser considerada nula pela Justiça do Trabalho.

Se a empresa não possui contratos bem estruturados ou se eles estão defasados, o risco de recorrência é alto. O trabalho da assessoria jurídica preventiva é transformar a vulnerabilidade em blindagem, revisando contratos de todos os níveis hierárquicos e implementando políticas internas de acesso à informação.

Sua empresa está protegida?

Se você está passando por uma situação de desvio de dados ou quer garantir que a empresa esteja protegida contra o comportamento indevido de ex-colaboradores, o primeiro passo é uma análise de risco.

Agendar análise de risco